Os refugiados da Venezuela no território brasileiro


TEXTO 1

A crise vivida pelos venezuelanos é noticiada pelos principais jornais do mundo, que apontam os problemas políticos e econômicos enfrentados pelo governo da Venezuela. O país é governado atualmente pelo presidente Nicolás Maduro, que enfrenta um forte descontentamento da população em relação a sua gestão.

Maduro assumiu o governo do país com o propósito de dar continuidade às políticas de seu antecessor, Hugo Chávez. Contudo, a Venezuela vivia tempos difíceis no ano de 2013, quando Maduro tomou posse como presidente. Com uma inflação que ultrapassava 800% ao ano e barris de petróleo apresentando altas em seu preço, o país viu-se imerso em um colapso econômico, que resultou em uma dramática crise humanitária. Faltavam no país insumos básicos para a sobrevivência. Os supermercados não atendiam a população. Faltavam alimentos e medicação. Por causa dessa triste realidade, milhares de venezuelanos decidiram migrar para outros países à procura de trabalho e de melhores condições de vida.

Um dos principais destinos dos venezuelanos é o Brasil. Atualmente, o território brasileiro recebe milhares de pessoas, que buscam oportunidades de inserção no mercado de trabalho e melhor qualidade de vida. Porém, esse intenso fluxo migratório desencadeou diversos problemas em território nacional, principalmente porque a maioria dos imigrantes concentrou-se em um único estado, Roraima.

 

TEXTO 2

O Brasil é atualmente o país com maior fluxo migratório de venezuelanos. A entrada dos migrantes acontece por Roraima (estado que faz fronteira com a Venezuela), mais precisamente pela cidade roraimense chamada Pacaraima. Esse foi o estado brasileiro mais afetado pelo intenso fluxo migratório de venezuelanos, visto que é a região com maior acessibilidade.

Os governantes do estado de Roraima declararam que havia uma sobrecarga dos serviços públicos e que o estado não era capaz de atender à demanda de imigrantes que lá se instalaram. Alegaram também a impossibilidade de os inserir em programas públicos relacionados à saúde, educação ou ao mercado de trabalho.

Segundo Marcilene da Silva Moura, diretora do Hospital Geral de Roraima, os medicamentos solicitados para atender a população durante todo o ano de 2018 já haviam acabado em meados de agosto. A área da saúde foi a maior impactada pelo fluxo migratório. Doenças como sarampo, que já haviam sido eliminadas em território brasileiro, reapareceram, e Roraima apresentou quase 300 casos confirmados da doença até o dia 10 de agosto de 2018. No que tange à educação, a Prefeitura solicitou do governo federal verba para que novas salas fossem construídas a fim de atender o número de venezuelanos que se matricularam nas escolas. Nesse mesmo período, a governadora do estado de Roraima, Suely Campos, publicou um decreto no qual restringiu o acesso dos venezuelanos aos serviços públicos de saúde e solicitou fechamento da fronteira.

 

TEXTO 3

A Polícia Federal apresentou dados constatando que aproximadamente 30 mil venezuelanos solicitaram regularização para permanecer em território brasileiro. Ainda que não seja possível precisar o número total de imigrantes no país, é fato que o estado de Roraima apresenta sim dificuldades para abrigar esse contingente populacional. Notícias vinculadas a esse fluxo migratório afirmam que a capital de Roraima, Boa Vista, vive uma situação caótica. Muitos venezuelanos tomaram as praças públicas, vivendo em situação de marginalização, agravando também os casos de violência na cidade.

Essa situação reflete a falta de políticas integradoras para inserir os venezuelanos aos sistemas públicos tanto de saúde como de educação, a falta de oportunidades de trabalho e a falta de parceria entre as esferas federais, estaduais e municipais. Esse cenário resulta em uma realidade dramática em Roraima. Muitos venezuelanos encontram-se em semáforos pedindo esmolas ou vendendo alimentos. Outros dividem abrigos improvisados em praças ou em quartos pequenos e alguns até passaram a se prostituir.

A coordenadora do Programa de Política Externa do Conectas Direitos Humanos, Camila Asano, ressaltou em material divulgado pelo Jornal El País que o governo federal tardou em assumir as responsabilidades relacionadas aos problemas que surgiram em Roraima. A falta de acolhida por meio de políticas públicas incitou um cenário instável e dramático no estado roraimense. É nítida a falta de parceria entre as esferas do governo.

 

TEXTO 4

A realidade provocada pelo fluxo migratório que gerou um cenário instável no Brasil foi classificada pelos brasileiros como uma “crise migratória”. Porém, é válido esclarecer que quem foge de uma crise são os venezuelanos. No Brasil, o que gera a sensação de crise não é o fato de esses imigrantes chegarem e instalarem-se aqui, mas sim a falta de políticas públicas que os integrem a nossa realidade de forma acolhedora. Essa triste realidade tem resultado em casos de xenofobia (aversão ou discriminação a pessoas estrangeiras).

Casos xenofóbicos já foram registrados no país. O uso da Força Nacional por parte do governo federal aumentou ainda mais o medo dos brasileiros em relação ao “desconhecido”, fortalecendo o preconceito e o aumento dos casos de violência e conflito. Essa instabilidade econômica associada à falta de políticas públicas de integração ressalta a inoperância do governo brasileiro no recebimento desses imigrantes, que se encontram em situações de vulnerabilidade.

 

A ELABORAÇÃO DO TEXTO

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema: " Os refugiados da Venezuela no território brasileiro". Apresente proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.